quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Oh, Maldito Abençoado Mar








Quantas vezes te maldigo;

Quantas vezes te abençôo.

Te mal digo pelo quanto tens de traição,

Te abençôo pelo quanto tens de riqueza e bondade.

Sim, abençoado mar.

Foi da tua riqueza que consegui tirar os frutos para meu sustento.

Foi, graças à tua bondade que meus pais me criaram,

E constitui minha família, que são a razão de minha vida e de minha luta.

Sim, maldito mar! maldito mar! Eu te maldigo pelo quanto me fizeste sofrer.

Lembras-te daquela noite de vinte e sete de Fevereiro? Quando calmo e sereno estavas, convidaste a todos para que, com nossos barcos, fossemos buscar o que sempre nos ofereceste, uns peixinhos, que eram um nada da tua grande riqueza; mas quando penetramos em teu seio, tu mar maldito, movido pelo impulso do ódio e da traição, covardemente levaste para tuas entranhas, cento e cinco pobres pescadores, que até hoje os conservas em tuas profundezas, e desgraçadamente deixaste ao abandono esposas sem maridos, filhos sem pais, pais sem filhos, mães velhinhas sem seu único amparo, n'uma das tuas grandes fúrias assassinas.

Hoje, usando as mesmas artimanhas, arrastaste para ti meus companheiros, meu barco, enfim, tudo perdi, só eu me salvei.

Agora, alquebrado e vencido, ainda me restam forças para te dizer:

  • Oh! Abençoado mar que tudo me deste,

  • Oh! maldito mar que tudo me levaste.

Manuel Baltazar do Couto




video


2 comentários:

fangueiro.antonio disse...

Boa noite.

Um belo artigo sobre o significado do mar.
Gostaria de lhe perguntar se tem disponível um scan maior da imagem do último postal, o 1383 com os barcos de pesca. Tal ajudar-me-ia a ver melhor os detalhes de construção dos mesmos.

Atentamente,
www.caxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt

Póvoa de Varzim disse...

Boa noite Sr. António Fangueiro

Se me der o seu mail, enviar-lhe-ei o ficheiro que tenho.

joseruicaldas@gmail.com

Cumprimentos

Zé Rui

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