sábado, 25 de setembro de 2010



Mercado David Alves





















O mercado público (feira) diário da Póvoa de Varzim é conhecido entre os poveiros, ainda hoje, como "Praça" e conheceu várias localizações até à sua localização presente na Praça do Marquês de Pombal. Passou pela Rua da Praça e no Campo da Feira, junto ao Pelourinho, topo poente da Praça do Almada até ao Largo de São Roque. Porque se entendia que a feira tirava dignidade à praça central da cidade, a Câmara Municipal decide a sua transferência para o Campo das Cobras em 1900, tendo adquirido esse espaço em 1893 para o efeito. O Campo das Cobras localizava-se onde está hoje a Escola dos Sininhos no quarteirão formado pela Rua Santos Minho com a Rua Manuel Silva.

Com a chegada de David Alves à Câmara, este nota que o espaço é demasiado pequeno e decide a construção do mercado num espaço maior, a Praça do Marquês de Pombal. Foi convidado o arquitecto Ventura Terra, um dos maiores arquitectos portugueses da altura.

O novo mercado é inaugurado em 31 de Janeiro de 1904. O mercado encontrava-se rodeado de quatro torreões e no largo central encontrava-se o mercado público onde eram vendidos produtos frescos de produção local, do porto da Póvoa chegava o peixe e da Póvoa rural chegavam os produtos hortícolas, tais como a batata ou a cenoura. Em 18 de Abril de 1904, o Mercado passou a designar-se Mercado David Alves, em homenagem ao seu impulsionador.

Na década de 1970 é decidida a construção de um mercado abrigado, o projecto é do arquitecto Campos Matos, edifício com 6 499 m2, distribuídos por dois pisos, as obras iniciam-se em 1979 e o novo mercado foi inaugurado em 2 de Julho de 1982, com a construção terminada em Janeiro desse ano. O edifício obrigou à demolição dos torreões que ladeavam a praça pelo norte e do Jardim público que confrontava com a Avenida Mouzinho de Albuquerque e diminuição física do espaço da praça. Os que ladeavam a Praça pelo sul continuaram a ser usados para comércio e a sua manutenção foi decidida para preservação da memória local, assim como do portão de ferro e respectivo muro gradeado.

Em 1996, a Câmara Municipal recupera os torreões que restaram. Políticos locais sugerem a reconstrução dos torreões demolidos no projecto de revitalização do mercado, com importância para a economia tradicional local. No São Pedro de 2009, a câmara apresenta um novo projecto para a Praça, no qual recupera os torreões e o jardim perdidos, devido a consenso alargado na sociedade, e cria um novo edifício abrigado, mais pequeno com menor impacto na praça.



terça-feira, 21 de setembro de 2010



Aguçadoura






Parque de Ondas da Aguçadoura



















Aguçadoura é uma freguesia portuguesa do concelho da Póvoa de Varzim, com 3,63 km² de área e 4 530 habitantes (2001). Densidade: 1 248 hab/km².

A sua criação data de 1933 (até esse ano fazia parte da freguesia de Navais), sendo por isso a mais nova freguesia do concelho.


O seu nome deriva de petra aguzadoira (pedra de aguçar ferramentas agrícolas).


Situa-se junto à costa, 6 km a norte da cidade da Póvoa de Varzim, tendo como limites o mar a oeste, e as freguesias da Estela a norte, Navais a este e Aver-o-mar a sul.

A freguesia é constituida por sete lugares: Aldeia, Areosa, Caturela,Codicheira, Fieiro, Granjeiro e Santo André.

Aguçadoura possui uma costa de cerca de 3Km de onde se destacam as seguintes praias: Praia de Santo André, Praia da Codicheira e Praia da Barranha.


A primeira referência histórica a esta povoação aparece na Inquirição de 1258, <<...in Petra Aguzadoira que est in termino de Nabaes.>> Pelas mesmas Inquirições de 1258 sabe-se que D. Ouroana Pais Correia estabeleceu aí três casais.

A instalação dos primeiros habitantes foi bastante difícil, pois Aguçadoura encontra-se praticamente assente em dunas e a contínua agressão das areias movidas pelo vento impedia a fixação das populações.

Só a partir do século XVIII a que a povoação tomou alguma importância, pois em 1730 já contava com cerca de 25 famílias e em meados do século XIX a população era já superior ao resto da freguesia de Navais da qual Aguçadoura fazia parte.

Em 1836 a freguesia de Navais, e por inerência o lugar de Aguçadoura, passa a pertencer ao concelho da Póvoa de Varzim. Até então fazia parte do concelho de Barcelos.

No começo de século XX o ambiente entre os habitantes do lugar de Aguçadoura e as autoridades civis e religiosas de Navais deteriorou-se devido aos desejos dos Aguçadourenses em formarem uma freguesia à parte.

Os ânimos agudizaram-se quando o Pároco de Navais proibiu as celebrações do mês de maio na capela de Aguçadoura, o que não foi acatado pela população. Até que em 29 de setembro de 1933 morre o Pároco de Navais, de nome Manuel Ribeiro de Castro (que havia sido Presidente da Câmara da Póvoa de Varzim nos anos finais da monarquia) que sempre foi o maior opositor à separação de Aguçadoura.

Passado menos de um mês, a 24 de outubro de 1933, o governo pelo decreto-lei 23.164 desse dia decreta a elevação de Aguçadoura à categoria de freguesia, separando-a de Navais à qual sempre havia pertencido.

Diz assim o decreto-lei 23.164 de 24 de outubro de 1933:

"Tendo em vista a representação dos povos do lugar de Aguçadoura, freguesia de Navais, concelho da Póvoa de Varzim, distrito do Porto, e as informações favoráveis do respectivo Governador Civil, no sentido de ser criada uma nova freguesia com sede naquele lugar;

Considerando que a freguesia de Aguçadoura consta já do projecto de reforma administrativa, em estudo;

Usando da faculdade conferida pela 2ª parte do nº2 do artigo 108º da Constituição, o Governo decreta e eu promulgo, para valer como lei, o seguinte:

Artigo 1º-É criada no concelho da Póvoa de Varzim, distrito do Porto, a freguesia de Aguçadoura, com sede na povoação do mesmo nome, freguesia que será desanexada da de Navais, daquele concelho.

Artigo 2º-Os limites da nova freguesia são: ao norte, os limites da freguesia da Estela; a nascente, o caminho de Seixinho, na estrada municipal; a sul, os limites da freguesia de Aver-o-Mar; a poente, o mar.

... "

Contudo a fronteira com Navais à luz deste decreto-lei era muito duvidosa, por isso foi necessário outro decreto-lei para definir a fronteira.

Diz assim o decreto-lei nº29.906 de 22 de Agosto de 1936:

"...

Artigo 1º-Os limites da freguesia de Aguçadoura, do concelho da Póvoa de Varzim, criada pelo decreto-lei nº23.164 de 24 de Outubro de 1933, são: pelo norte, os limites da freguesia da Estela; pelo poente, o mar; pelo sul, os limites da freguesia de Aver-o-Mar; pelo nascente, uma linha que, partindo ao sul, do lugar das Esqueirinhas, entre as propriedades de José Gonçalves do Paço e de Maria Santiago, atravessa o caminho de Prelades, entre as propriedades de Moisés Fernandes Fontes e de Luís Gonçalves Carreira, prolonga-se no mesmo sentido até passar a 40 metros a nascente do cemitério de Aguçadoura, medidos na estrada municipal, segue até cruzar com o caminho da Bouça da Areia, terminando no caminho de Parau, no lugar do Couto, limites da freguesia da Estela.

a)-Em cada um do pontos referidos: Esqueirinhas, caminho de Prelades, estrada municipal, Bouça de Areia e Couto será colocado um marco, ficando as freguesias de Navais e Aguçadoura limitadas pela ligação sucessiva, e em linha recta, dos cinco marcos.

"


quinta-feira, 9 de setembro de 2010


Terroso










Ruínas da Cividade de Terroso no seu aspecto actual. A sua queda foi romanceada no livro «Uma Deusa na Bruma», de João Aguiar.








Grupo de trabalhadores que fizeram as escavações em 1906 na Cividade.




Planta da Cividade no decurso das escavações de 1906, feita pelo arquitecto Arthur Cruz da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim.


Terroso é uma freguesia portuguesa do concelho da Póvoa de Varzim, com 4,63 km² de área e 2 472 habitantes (2001). Densidade: 533,9 hab/km².

A sua área foi habitada desde épocas pré-históricas, como o evidenciam os topónimos Leira da Anta (entre Terroso e Amorim) e Cortinha da Fonte da Mama ou o Castelo de Paranho, de origem medieval, mas de que apenas chegaram à actualidade escassas ruínas.

Conserva-se inviolada a Mamoa de Sejães. Na acrópole do monte da freguesia, persiste ainda a Cividade de Terroso.

Foram naturais de Terroso os Monsenhores Lopes da Cruz, fundador da Rádio Renascença, e Manuel Vilar e o Cónego escritor Molho de Fraia.


Terroso situa-se a cerca de 5 Km a nordeste da cidade da Póvoa de Varzim, tendo como limites as freguesias de Rates a noroeste, Laúndos a norte, Estela a noroeste, Navais a oeste, Amorim a sudoeste, Beiriz a sul e Rio Mau (já no concelho de Vila do Conde) a este.

Freguesia localizada em zona de transição, distinguem-se duas regiões em Terroso, o Monte da Cividade e a Planície Litoral, que por vezes, é ali denominada Planície de São Lourenço. Notam-se as zonas arborizadas, com flora autoctone no Monte da Cividade, e um grande cordão de bouças no Alto das Póvoas, que sofreu uma significativa desflorestação com os fogos florestais de 2006 com a pressão da actividade agrícola, tendo estas áreas desde aí substituídas por campos agrícolas e até mesmo estufas. Em 2007, a Câmara Municipal procedeu à reflorestação de 3300 m2 no Lugar do Carregal com meio-milhar de pinheiros-mansos.

Os lugares de Terroso são Boavista, Carregal, Certainha, Ordem, Paranho, Passô, Pé do Monte, Póvoas, Santo António, São Lourenço, São Pedro, São Salvador, Sandim, Sejães e Vilar.


quinta-feira, 2 de setembro de 2010













O Farol da Lapa ou Farol da Senhora, é um farol Português já desactivado, que se localiza na Igreja de Nossa Senhora da Lapa, na Cidade da Póvoa de Varzim, do distrito do Porto, Região Norte e sub-região do Grande Porto.

A lanterna, uma replica em cimento da original, encontra-se na fachada posterior da Igreja, fronteira à praia, albergando ainda uma imagem de Nossa Senhora da Lapa e um painel evocativo da tragédia que em Fevereiro de 1892 marcou os pescadores da Póvoa de Varzim.

A igreja está em Vias de Classificação (com despacho de abertura) pelo IPPAR.

A primeira referência ao sinal da vila data do século XVI. A 9 de Maio de 1833, o alferes do Castelo requisitou, à câmara, a ajuda para a luz do "facho desta vila" para 6 noites, que até então estava estacionado na fortaleza, enquanto ocorria a guerra entre miguelistas e liberais, caso não aparecesse "facheiro".

O Facho da Atalaia da Ordenança, o farol primitivo, no sítio onde se ergueu a Igreja da Lapa, estaria no cimo de uma estrutura de ferro, segundo antigas listas de faróis, e conforme se pode ver num postal antigo. Seria do género de torre de grua montada no adro da Igreja da Lapa, veio possibilitar um enfiamento que indicava o caminho certo para os barcos passarem a barra com segurança. O Farol construído à custa da Real Irmandade de Nossa Senhora da Assunção foi colocado no templo devido à grande devoção que os poveiros tinham pelo pequeno templo. Servia assim de guia para os navegantes, mas muito especialmente para os pescadores.

Em 1892 o farol passou a ser a luz anterior do enfiamento Lapa-Regufe do varadouro da enseada da Póvoa de Varzim. Ao obter o alinhamento entre os dois pontos de luz do Farol da Lapa e do Farol de Regufe, denominado enfiamento, os pescadores sabiam que o barco encontrava-se no estreito corredor entre rochedos submersos que era seguro para atravessar a barra, banco de areia fatídico onde inúmeros pescadores ao longo de várias gerações perderam a vida. O farol era activado quando o estado do mar tornava a entrada da barra perigosa.

Nos Anos 1960 foi desactivado, provavelmente devido à construção dos novos molhes, que fizeram com que o enfiamento ficasse inapropriado.