domingo, 7 de novembro de 2010



















O Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim foi fundado em 1937 por acção de António dos Santos Graça, insigne poveiro originário da classe piscatória, o qual, observando que as práticas e tradições próprias deste grupo se iam perdendo sem nenhum registo ou recolha, publicou, em 1932, O Poveiro. Neste livro “apresentava, de forma clara, minuciosa e atraente, a fisionomia cultural da comunidade poveira, redescoberta nos seus aspectos mais importantes e originais: a organização social, o parentesco, a transformação e a mudança, encarando já a Antropologia como ciência total do homem;” [LOPES, M. 2001]. Após a realização da 1.ª Exposição Regional de Pesca Marítima - Costa de Entre Douro e Minho, no Monumental Casino da Póvoa de Varzim, em Outubro de 1936, Santos Graça cria um Museu Municipal, o qual é aberto na casa, arrendada para este fim, conhecida pelo «Solar dos Carneiros», edifício brasonado reconstruído na segunda metade do século XVIII (por Manuel Carneiro da Grã Magriço), adquirida pelo Município ao Dr. João do Ameal, Conde do Ameal, em 1974 e declarado Imóvel de Interesse Público em 1985.

O Museu, aquando da sua fundação e no decurso da sua existência, foi acolhendo diversas colecções que se encontravam na posse da Câmara Municipal (por aquisição ou oferta) como: a colecção de faianças (dos séculos XVI a XIX) e mobília adquirida às herdeiras de Rocha Peixoto (etnógrafo, arqueólogo e fundador da Revista «Portugália»); o acervo do Museu fundado por Rocha Peixoto no “Club Naval Povoense”, em 1907; as colecções de Arqueologia e História do “Museu do Padre Brenha” (catalogadas e divulgadas por Cândido Landolt, em 1893) e do “Museu regional”, conservado no Liceu; as inscrições romanas de Beiriz; peças recolhidas aquando da demolição da primitiva igreja Matriz [1916 – 1918] e cedidas pela Santa Casa da Misericórdia, etc.

Desde o início que era patente a inadequação do edifício à nova função. Santos Graça, no entanto, conseguiu criar um Museu que durante anos foi considerado modelar em termos da Etnografia Marítima e milhares de visitantes percorreram este Museu e guardaram uma terna lembrança da forma como este mostrava as tradições e as artes dos pescadores e agricultores poveiros. As cenas do quotidiano da vida poveira - desde o nascimento até à morte, a faina, os modelos de barcos de pesca e salva-vidas, as tradições, religiosidade e crendices - tornaram-se num dos principais focos de interesse, a par das medalhas do Cego de Maio, dos retratos deste e outros heróis, simples, mas orgulhosos, pescadores.


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